Antidepressivo não é tudo a mesma coisa

A depressão é um problema médico, portanto, passível de tratamentos.

O que é um antidepressivo?

O antidepressivo é um medicamento de origem psiquiátrica indicada no tratamento dos transtornos do estado do ânimo e do humor.

A descoberta dos primeiros antidepressivos foi na metade do século XX. Com o passar do tempo, foram desenvolvidas novas classes de antidepressivos e, com a diminuição dos efeitos colaterais, o seu uso se tornou imprescindível.

Existem 6 grandes classes de antidepressivos:

  • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS);
  • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina (ISRSN ou SNRI);
  • Antidepressivos tricíclicos;
  • Antidepressivos tetracíclicos;
  • Inibidores da MAO;
  • Antidepressivos atípicos.

E, evidentemente, os efeitos variam de pessoa para pessoa. Ou seja, o mesmo remédio pode causar em um paciente um efeito e, em outro paciente, outra reação.

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)

Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são uma classe de medicamentos antidepressivos presentes no mercado desde o final da década de 1980.

Os principais fármacos que fazem parte desta classe são:

  • Fluoxetina;
  • Sertralina;
  • Paroxetina;
  • Escitalopram

Os ISRS são a classe de antidepressivos mais prescrita no mundo. São drogas relativamente novas, seguras mesmo em doses elevadas, bem toleradas e com perfil de efeitos colaterais leves.

O famoso Prozac, foi o primeiro medicamento desta classe a ser comercializado, em 1987.

Eles agem impedindo a retirada da serotonina da fenda sináptica, local onde esse neurotransmissor exerce suas ações. Deste modo, a serotonina permanece disponível por mais tempo, causando melhora no humor dos pacientes.

O principal efeito adverso da classe são as disfunções sexuais, nomeadamente diminuição da libido e dificuldades em se atingir o orgasmo, motivo pelo qual esses fármacos também podem ser usadas no tratamento a ejaculação. Outros efeitos colaterais comuns incluem náuseas e insônia.

Antidepressivos tricíclicos (ADT)

Até o surgimento dos ISRS em 1980, eram os principais existentes. Também aumentam o efeito da serotonina, mas não são seletivos, têm diversas outras ações, que, em geral, causam mais efeitos colaterais, como: ganho de peso, sonolência, boca seca e prejudicar bastante o hábito intestinal.

Os ADTs são:

  • Amitriptilina;
  • Nortriptilina;
  • Imipramina;

Tem também efeito sobre a noradrenalina, o que pode ajudar no tratamento da depressão e dores crônicas/enxaqueca. Mas isso torna os ADTs potencialmente mais perigosos para pacientes que já tenham doenças prévias como arritmias, por exemplo.

Inibidores da monoaminoxidase (IMAOs)

Aumentam os níveis de serotonina, noradrenalina e dopamina.

No mercado temos os IMAO:

  • Tranilcipromina;
  • Moclobemida.

Causam diversos efeitos colaterais, como variações de pressão e tontura além de ser muito perigoso se associado com outras medicações e até mesmo com certos alimentos, como queijos e vinhos. Por esse motivo é utilizado, em geral, nos casos mais graves.

Inibidores de recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) ou inibidores duais

Combinam a ação antidepressiva da serotonina com um plus de noradrenalina, que aumenta a disposição, energia e concentração.

Os principais são:

  • Venlafaxina, desvenlafaxina (utilizados mais como antidepressivos);
  • Duloxetina (utilizado mais para tratamento da dor.)

Muitas vezes são utilizados também no tratamento de síndromes dolorosas crônicas, como a fibromialgia e dão menos disfunção sexual que os ISRS.

Inibidor de recaptação de noradrenalina e dopamina

A bupropiona é o principal medicamento utilizado para se tratar o tabagismo. Mas é também um antidepressivo interessante, um dos poucos que não mexe com a ação da serotonina. E exatamente por isso ele não dá disfunção sexual.

Entretanto, é por isso também que é um antidepressivo um pouco mais fraco e particularmente ineficaz em quadros de ansiedade.

Eventualmente, uma medicação não funcionar ou causar um efeito colateral não é motivo para abandonar o tratamento, faz parte do processo. E é bom saber que temos algumas ou até mesmo várias alternativas.

E lembre-se: É imprescindível fazer todo o tratamento com o acompanhamento de um psiquiatra e não tomar medicamentos por conta própria.